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Por quanto se espera

Posted in Flashback, Poemas, Tudo with tags , on 09/06/2009 by reticencioso

Por quanto se espera o trágico desfecho da vida…
E se o silêncio romper a estima no fechar das cortinas?
E se as vaias calarem as salvas?
E se a dúvida firmar minha sina?

As mentiras me salvarão?
Todas as lágrimas foram em vão?
E se nunca existiram esses seus olhos?
Que de mim nunca fugiram…

E meus papéis rabiscados?
Entenderão as turvas letras?
De mãos inseguras, rasuras e paletas,
Para sempre perdidas…

Mas não vale a agonia.
Pelo quanto se espera,
Pelo tempo se enterra,
Tudo o que foi dia…

Só as estrelas contarão,
Esses milhares de olhos!
Contarão contadas,
Pela minha luneta das noites erínias.

Por quanto se espera?
Da chuva que me encobre,
Logo ao fechar os olhos,
Gota a gota,
Desaba o céu sobre o teto,
O teto sobre a mesa,
E a mesa, enfim,
Sobre nossos joelhos,
Que protegem nosso medo…

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