Nunca Mais

Posted in Poemas, Tudo on 05/01/2011 by reticencioso

“Eu perdi minha vida e o alento,
E os amigos, e a intrepidez,
E até mesmo aquela altivez
Que me fez crer no meu talento.

Vi na Verdade, certa vez,
A amiga do meu pensamento;
Mas, ao senti-la, num momento
O seu encanto se desfez.

Entretanto, ela é eterna, e aqueles
Que a desprezaram – pobres deles! –
Ignoraram tudo de talvez.

Por ela Deus se manifesta.
O único bem que ainda me resta
É ter chorado uma ou outra vez.”

Tristeza – Alfred du Musset (Tradução de Guilherme de Almeida)

Merry Christmas

Posted in Música, Tudo on 25/12/2010 by reticencioso


“Acorde, é luto de natal
Aqueles amados se foram a muito
As meias estão penduradas, mas quem liga
Preservadas para aqueles não mais presentes
A seis pés abaixo de mim dormem

Luzes negras, pendem da árvore
Acentos de azevinhos mortos

Oh, visco
(está ficando frio)
Estou vendo fantasmas
(estou bebendo velho)
Água vermelha
Água vermelha
Água vermelha os afugenta

Minhas mesas foram arrumadas para no máximo sete
Só no último ano eu jantei com onze
Danem-se vocês cavalheiros alegres”

Type O Negative – Red Water

Fui Eu…

Posted in Crise existencial, Poemas, Tudo on 04/12/2010 by reticencioso


Há muito que agora não me chamo mais eu.
Forma disforme, ao Sol voltado encasulado,
Não hei de achar sombra nem orvalho,
Que me caiba de bom grado…

Refugio-me então em meu vulgo silêncio,
E afundo orgulhoso em meu velho esquife,
Recolhido, qual menino manhoso,
Enquanto afogo-me no meu drinque,
Contrapondo-me presunçoso,
Refutando o que bem já tive…

Certa vez achei, por pura inocência,
Que as pessoas perdiam o brilho,
Com a idade que as carregavam,
Ao sentido do fardo da vida.

Como um invisível açoite,
Com o mesmo peso grave,
Que transforma o dia em noite,
Dilacerando a carne em feridas…

Mas a alegria é privilégio da alma!
Como a ida é consequência da vinda!
E talvez por ser divina,
Essa não depende de idade,
Pra ficar fosca e sem vida…

E a loucura as vezes,
É o botão de alarme,
Que aciona-se dentro de si.

Tanto da alma que transpassa,
Algum limite de pensamento,
Que não cabe mais aqui,
Quanto de um desespero,
Que se esconde cansado,
Sem ninguém pra acudir.

E sem certa insanidade,
Muitos não poderiam,
Olhar pra esse mundo doente,
E ainda assim sorrir…

Mas enfim,
O que faz uma forma disforme,
Num tabuleiro de furos circulares,
É o que quero descobrir…

Ciclo…

Posted in Poemas, Tudo on 28/11/2010 by reticencioso

Do Ciclo Dança de Morte

“Noite. Fanal. Rua. Farmácia.
Uma luz estúpida e baça.
Ainda que vivas outra vida,
Tudo é igual. Não há saída.

Morres – e tudo recomeça,
E se repete a mesma peça:
Noite – rugas de gelo no canal.
Farmácia. Rua. Fanal.”

Aleksandr Blok
Tradução de Augusto de Campos.

Olhar

Posted in Poemas, Tudo on 25/11/2010 by reticencioso

Eu vi o olho torto,
Olhando-me vagaroso.
Levantando, meticuloso,
O lado esquerdo do sobrolho.

Tentou ser cauteloso,
Até sua face fosca,
Chocar-se com meu olho…

Desviou, meio tonto.
Virou pra baixo,
Fingiu de morto.

Como assim, título?

Posted in Tanto faz..., Tudo on 24/11/2010 by reticencioso

E não há dia que se passe, sem que o mesmo passe a se passar como passara em algum dia passado…

E falando em passar, passei hoje por aqui, só mesmo pra passear…

E entre um passo e outro, passo por escuros lastros de pensamentos passados… Alguns bem passáveis. Outros, tanto execráveis, diga-se de passagem…
Assim como a chuva passadiça, que cai e esvazia a praça, no meio de uma tarde…

E agora que já terminei o passeio engajando-me nestas palavras de homem são, não hei eu de querer terminar, como se fosse este, apenas mais um texto vão…
Sendo assim, então, digo pra não desistires, seja lá qual for a questão, pois é sabido que até os pássaros, até mesmo os pequenos, também um dia passarão…

Pois, que isso me lembra de uva! Que me lembra de Baco que me lembra tabaco que me lembra de trago de whisky barato que me lembra do sapato que sempre que eu calço me faz lembrar algo que esqueço no lado do alto da mesinha do quarto. Fato! A não ser, é claro, pelo motivo de não usar sapatos. Aliás, meu único calçado é um velho tênis azul-claro, já bem gasto e desbotado. Mas que importa isso, pra quem não sabe usar cadarço? O velhinho lá da esquina, amarra o surrado conga, usando só fitas e laços…

E pronto! Fim de papo!! Êêêêêê!…….

I déssszi masuma, guinda do legal…

O mal

Posted in Poemas, Tudo with tags , on 07/11/2010 by reticencioso

“Ele estava sentado, ao fim do dia,
Sobre as ruínas de velhas tradições,
Soltando ao largo as trovas da Agonia
Entre um coro de eternas maldições.

Tinha na face encarquilhada e fria
A sordidez dos ínfimos ladrões;
E na destra uma taça, onde bebia
O sangue de extintas gerações.

Eu, ao vê-lo, bradei: Porque é que existes,
Tu, que geras o Horror, e a ele assistes
Tranquilo, como á queda de Salém?

Porque, ó Mal? – E o Mal, sombrio e torvo,
Fitou em mim o seu olhar de corvo,
E respondeu-me: Porque existe o Bem.”

Narciso de Lacerda

Ghhraaarghh!!!!!!!