Archive for the Poemas Category

O mal

Posted in Poemas, Tudo with tags , on 07/11/2010 by reticencioso

“Ele estava sentado, ao fim do dia,
Sobre as ruínas de velhas tradições,
Soltando ao largo as trovas da Agonia
Entre um coro de eternas maldições.

Tinha na face encarquilhada e fria
A sordidez dos ínfimos ladrões;
E na destra uma taça, onde bebia
O sangue de extintas gerações.

Eu, ao vê-lo, bradei: Porque é que existes,
Tu, que geras o Horror, e a ele assistes
Tranquilo, como á queda de Salém?

Porque, ó Mal? – E o Mal, sombrio e torvo,
Fitou em mim o seu olhar de corvo,
E respondeu-me: Porque existe o Bem.”

Narciso de Lacerda

Ghhraaarghh!!!!!!!

Anúncios

Até o Além!

Posted in Poemas, Tudo on 24/10/2010 by reticencioso

Eu

“Quem sou eu??

Ainda não sei…
E até hoje espero saber…

Todos sabem quem sou!
Eu, não…

Elas conhecem meus defeitos.
Só isso.

Sou alguém com virtude realçada em defeitos.
Só!”

Tudo

“O quão majestoso é…
Correntes ao chão,
Mãos livres,
Uma canção,
Um cigarro,
Uma bebida…
Tudo.
Não menosprezo o amor.
Este é esplêndido em sua magnitude.
Porém…
Correntes ao chão.”

Amor e Ódio

Antagônico
Mórbido
Obscuro
Ríspido

Ousado
Doloroso
Infinito
Omisso

Léo A.

É… Não era fácil não né irmão…

PORRA, KD O BIIIXOOOO??!

Um trago em alto-mar…

Posted in Poemas, Tudo on 07/10/2010 by reticencioso

A mão tremula incessante,
Que segura a fina labareda,
De um isqueiro flamejante,
Acende o mar de fúria,
Que se faz em longas ondas,
Na fina névoa esfumaçante.

Em quase sólido contraste,
À calmaria inconsciente,
Enquanto as ondas se quebravam,
Em grossos rostos indolentes,
Percebo, logo acima,
Na beira de uma sacada,
Onde dissipava-se a neblina,
Estranho ser empoleirado,
Como turvado corvo cinza…

Fiquei um tanto incomodado,
Acometido por um medo,
Curioso e assombrado,
Não mais tirando os olhos,
De estranho ser inusitado.

Mas a ave desgraçada,
Não movia uma só pena,
Com o vento que soprava…
Não respondia meus acenos,
Nem tampouco ali me olhara,
Fazendo assim, nada mais,
Do que só ficar parada…

Mas que pensamento tinha esta,
Com seu olhar fixo no vazio?
“Nunca mais” iria dizer-me,
Ó grande pássaro vadio?
E o que fazia tal criatura,
Encravada em escultura,
Na sacada de um navio?

É certo que na verdade,
Pela cabeça do imóvel ser,
Pensamento nenhum atravessava…
A não ser que de algum modo,
Com todas as mil certezas,
Ali realmente se encontrava…

E fitei-o por uma hora…
E o corvídeo inda parado.
Absolutamente silencioso,
Com seu semblante deserto,
Olhos inteiramente cobertos,
De um ar duvidoso,
De animal irrequieto.

Até que por fim,
Em violento ímpeto,
Que levara-me a um susto,
Levantou seu negro voo,
Com suas largas asas brutas,
E um canto em desentoo.

Distanciou-se na névoa,
Rumando em rumo incerto,
Até vagarosamente,
Sumir em mar aberto…

Talvez só um vulto afligente,
Um devaneio,
Ou escape da mente…

Pois assim como o estranho corvo,
Queria estar eu sem nenhum incômodo.
Assim como no bar, solitário,
Em cima da mesa de baralho,
Descansa um cigarro solto…

E não poderia eu,
Jogar-me a deriva,
Sem precisar pensar,
Sobre todo o monturo,
De enganos passados,
E planos futuros?

E que futuro poderia aguardar,
Por todos esses deuses rotos!
Alguém que na mesa de um bar,
Vê perdido em alto-mar,
Um solitário e triste corvo?!

Ah, dos meus vagos sonhos,
Nem lembro qual foi o mais torto…
Agora a falta que um sonho me faz,
É a mesma falta mordaz,
Que faz um séquito ao morto.

Imundo…

Posted in Poemas, Tudo on 28/09/2010 by reticencioso

Se este triste mundo,
Já perdeu sua função,
De ser mundo até então,
O que farão as pessoas,
Que ainda vagam moribundas,
Pelo sangrento chão,
Enquanto o fim se aproxima,
Sem pressa e sem razão?

Continuarão a se alimentar,
E a continuarem famulentas,
Por suas migalhas de pão.
Enquanto a morte os espera,
No final de toda véspera,
De cada dia da criação…

Mas se o mundo não é mais mundo,
Agora qual poço sem fundo,
O que será que sobrará,
No desfecho disso tudo?

Quem sabe talvez,
Um ser menos iracundo,
Após sumirmos de uma vez,
Deste vão planeta sujo,
Faça nascer um outro mundo,
De felicidade absoluta,
Sem dores e sem luto!

Ou restarão somente as cinzas,
Misturadas com os grúmulos,
Junto com alguns escritos,
Entalhados nalguns túmulos…

Só palavras…

Posted in Poemas, Tudo on 10/08/2010 by reticencioso

Brindemos!

Posted in Poemas, Tudo on 28/07/2010 by reticencioso

De uma áurea taça de brindes

Sou quem boas-vindas propicia,
dando aos convivas alegria;
mas quem me busca em demasia,
e em torno a mim sua fama cria,
eu pego essa gente vadia,
e faço cair na terra fria.

Hans Sachs

Por isso comigo é só no copo… oO



Paciência…

Posted in Poemas, Tudo on 25/07/2010 by reticencioso

Tentei com toda prudência,
E com cuidado até demais,
Até com certa reticência,
Achar que seja um tanto faz…
Desdenhando na demência,
Pontos sem vírgulas,
Em curvas e diagonais…

E com todos os sinais,
Soube que nunca,
Na hipótese de jamais,
Seja na abstinência,
Ou mesmo ébrio demais,
Os dias e as noites,
Não podem ser iguais…

E agora minha paciência,
Que chegara a seus finais,
Virou-se em algumas cartas,
Só um jogo e nada mais…