Archive for the Noite Category

E as noites de apatia…

Posted in Noite, Poemas, Tudo with tags on 16/06/2010 by reticencioso

Ali está novamente,
Debruçado na grade fria…

Permanece estático,
Como triste fotografia…
E não há canto ou cantarejo,
Que o distraia de tal porfia…

Hoje, deprecia uma lua vazia,
Sem mistério, sem poesia…
Com um ralo sentimento vazio,
Pesar de sua própria autoria…

Ah… Triste apatia…

Mas que logo se acostume,
Com esta sina sombria…

Pois toda essa aflição,
Que neste ser não existia,
Haverá de perdurar,
Pro resto de seus dias…

Desconjuro-te!

Posted in Noite, Poemas, Tudo with tags , , on 09/06/2010 by reticencioso

Não posso dizer muito.
Adiante às estrelas,
Só a Lua é testemunha…
De um mistério que se esconde,
Acobertado pelas sombras,
E protegido pela noite…

Bem me lembro que já ouvi,
Alguém em lamento, dizer por aí,
“Quão solitária és,
Infausta face noturna…”

Nunca a foste!
Nunca necessitara,
De ser consolada!
Sempre serena,
Da vida acompanhada!

Pois nunca tiveste tanto,
Tanto pra ver neste mundo afora,
Nos confins obscuros…
Estarão sempre lá,
Vivazes seres soturnos…

Vê-se lá!
Até nos telhados…
Onde os gatos copulam,
Pulando de telha em telha…

Sei que deixei de pensar,
Por um tempo onde a vida corria,
E deixei de sonhar,
Pelas noites vadias…

Mas peço agora,
Brilhante véu (que nunca…
Nunca fiz questão,
De ver seu rosto!),

Traga-me de volta o alento,
Embala-me novamente,
Em seu brilho alvacento…

Deixe novamente,
Por estas noites insanas,
Que meus fatigados sonhos,
Flutuem pela brisa que leva,
Aos selênicos lares de Diana…

Vamos!
Já estou abandonado!
Então não hás de ser inulta!
Já me sinto tão sozinho,
Como se voltasses a mim,
Sua misteriosa face oculta!

Cintilante malfeitora!
Junto à noite,
E tão fria quanto…

Triste é o Sol,
Que vê, mas não entende,
Acha que é todo seu o dia…

E mais triste quem ilude,
Até mesmo com promessas de solidão!

Triste,
Amargurada…
Lua dos amantes,
Dos poetas,
Dos mendigos…

Queres que seja teu?
Meu último suspiro?!
Vai-se! Que cesse a poesia!
Tome teu rumo sereno,
E que chegue a luz do dia!!

_Pois se tanto me chamas,
Infiel amouco…
Peço para que vás parando,
Com essas tristes lamúrias,
Com este teu desencanto,
Pois irei agora responder-lhe,
Não importando qual seja,
O grau de teu espanto…

Conquanto, já te adianto,
Esta será a última vez,
Que intercedo em teu pranto…

Mas nada te direi,
Sobre essa tua angústia,
Já que disto, afirmo,
Não me cabe a culpa…

Bem me entendas tu,
Que nunca tive a intenção,
De iludir ou mal algum te fazer…
Minha triste sina neste céu,
É pura e simplesmente,
Manter as mentes aluadas,
Não assim como parece,
Também querer tu insinuar,
Manter dos sonhos afastados…

Direi somente algumas palavras,
Depois disso serei apenas,
Como há muito já venho sendo,
Um vago brilho sobre as casas…

E o que vou dizer-te,
Nunca disse a outro,
Nem mesmo aos doidos,
Tampouco aos doutos…

Apenas continue…
Trilhando teu caminho,
De pensamentos ressoltos…

E continue a sonhar teus sonhos,
Mesmo que a ti pareças,
Demasiadamente, loucos…

Noturno…

Posted in Noite, Poemas, Tudo with tags , , on 18/09/2009 by reticencioso

corvo

Estava a sonhar contigo,
Mas acordo de repente…
Ouço bater ao postigo,
Lentamente… longamente…

Penso que és tu, morta ausente,
Que voltas ao teu abrigo.

Corro impaciente, à janela.
Olho a noite. Êrmo profundo…
O vento frio e iracundo
As árvores arrepela…

E eu pergunto às sombras: – E Ela?
Não voltará mais ao mundo?

O chão de folhas se junca
Ao vento que as solta e leva…
E ouço, em silêncio, na treva:
– Quem morre não vem mais nunca.

O Corvo de Poe se ceva,
Cravando-me a garra adunca.

– Que saudade! – maldigo
A vida, triste e descrente:
– Se eu dormisse eternamente…
E volto a sonhar contigo.

Bate o vento no postigo…
Cai a chuva lentamente…

(Da Costa e Silva)

Hoje a noite não tem luar…

Posted in Noite, Tudo with tags , on 26/05/2009 by reticencioso

Mais um trago na sempre sublime noite.
E nessa calmaria fria da madrugada, tudo parece mais vivo e intenso…

No céu, mais uma estrela desaparece entre as nuvens…
Enquanto o céu vai ganhando um ar de tenebroso terror.

E na rua, mais uma luz se apaga.
De mais alguém que irá conseguir fugir para o mundo dos sonhos…

A minha fumaça, parece se juntar com o calmo sereno, fazendo as luzes dos postes irradiarem um certo ar medonho.

E pareço sentir cada folha que balança com o vento, enquanto flagro um gato preto me encarando de cima do muro.

Um trovão ao longe, dá o gélido toque de frio na espinha.
E me vejo absorto em um levemente insano sentimento sombrio de paz…

E não demoro a me deixar levar pelo pensamento de estar flutuando alto com o vento, vendo a cidade lá de cima entre flashes de relâmpagos.

E até a última tragada, sinto como se eu tivesse passado horas ali, ao melancólico sabor do vento.

Abro a porta devagar e entro.
E já no meu quarto, uma forte chuva começa a despencar, me isolando do resto do mundo.

E penso que serei o próximo, senão já o último, a apagar a luz, e mergulhar no feliz mundo dos sonhos.

Sombras

Posted in Noite, Poemas, Tudo with tags , , on 19/12/2008 by reticencioso

No silêncio são sombras pelo vazio.
E na escuridão passam despercebidos,
Nas poucas horas da noite,
Onde muitos estão recolhidos.

Uma palavra é um sepulcro,
E as luzes são um mito.
E me encoraja a idéia, supérflua,
De me envolver com a solidão.

E enquanto divaga o pensamento,
Livre das torturas da alma,
Se torna meu desejo,
Não desejar mais nada…

Se não enfim até cessar o silêncio,
Até apagar no sono.
Onde nos sonhos,
Nada mais é estranho…

Apenas a sombra,
De tudo que foge,
Do irreal…

O Vento de Dezembro

Posted in Noite, Poemas, Prolixidade, Tudo with tags , on 02/12/2008 by reticencioso

O vento de Dezembro,
Não é só um simples vento.
Sonoro quieto alento,
Faz-me sempre recordar…

Daqueles tempos de infância,
Que como tantos outros tempos,
Só se pode enfim lembrar.

Das cores vivas da cidade,
Do céu a festejar,
Do vento me abraçando,
Convidando a passear…

Até Janeiro vai-se embora,
Deixando apenas um vazio,
De um tempo tão vadio,
Onde minha ocupação,
Era o tempo a se passar.

Mas sinto o que era esse tempo,
Sentindo o vento de Dezembro.
Parecendo querer mostrar,
De que não importa como estamos,
Sorrindo só ou só chorando,
Tudo tende a melhorar…

O Pequeno Grande Céu

Posted in Divagação/Filosofia, Noite, Tudo with tags , , on 04/09/2008 by reticencioso

Houve dias que andei a observar o céu…
Bem, na verdade por muitos dias o fiz.
Até cansar de andar e perceber que era melhor o fazer parado.
Pois bem. Parado continuei, por muito e muitos dias a fio…

Até que um dia, muito cansado que estava e motivado por uma notável dor lombar, resolvi me sentar.
Mas aí, já encontrei-me em tênue empecilho…

Pois dentro da área de meu círculo de lunar atenção, não via um lugar sequer onde poderia sentar continuando a vislumbrar o grande céu.
As árvores cobriam minha visão, e as folhagens pareciam mais ciscos nos olhos da noite…

Poético.

Mas, não era bem o meu intento virar um herbal estudante das vegetais folhagens.
Hora, percebi que fiz a afirmação antes mesmo de ter o trabalho de procurar.
Antes de quase terminar meu lógico pensamento de me enganjar no topo de uma árvore para ter total privação dos naturais obstáculos, me sento ao meio fio e percebo que de lá ainda poderia desfrutar de um vasto pedaço de céu.
Muitas folhas, galhos e afins me atrapalhavam. Mas estava eu confortável na minha apreciação celeste.

E assim o fiz por muitos dias, semanas, meses!
Sim, mas já cansado dessa rotina, e não encontrando mais no meio fio, um motivo de conforto, quisera eu deitar…

Deitar!
Vi-me num lindo gramado, sentindo uma brisa suave, tomando um refresco natural de limão, e gozando do céu (que seja bem entendido!).

Mas, pra minha já quase cruel infelicidade, não encontrei-me na capacidade de fazê-lo…
Não iria eu deitar sobre a calçada da límpida rua. Muito menos na rua!
Pois bem, pois bem, vejamos… Pensei eu comigo mesmo em sutil e indireta indagação ao meu outro eu, mim.

Em busca da resposta, resolvo me deitar sobre o fim da calçada de minha humilde morada, onde percebi algo surpreendente e totalmente inesperado.
Lá estava ele, o céu…

Sim, não era o céu enorme que via antes, nem o pedaço que observei por depois, mas ali o podia ainda o apreciar, tendo o principal motivo dessa escolha meu já sumido bem estar, acompanhado de um pedaço desse esplendoroso céu.

Então, assim o fiz.
Dias, meses, pouco mais de ano…
Mas…
Sim.
O cansaço me tomou…

Aquela calçada parecia ficar mais fria a cada noite, e a falta de coragem de buscar algo mais aconchegante para deleitar de minhas já poucas estrelas, me fez abandonar por vez o local.
Já não era sem tempo, pois já podia ver sem esforço minha silhueta desenhada na tinta da calçada.

Depois disso, passei a contemplar as estrelas apenas do meu próprio quarto, onde da minha janela podia ver uma pequena imensidão.
Não era o grande céu que observava anteriormente, nem o pedaço de céu que via depois, nem o retalho celeste que via da calçada.
Apenas uma lasca, um pequeno céu quadrado.
Mas o meu conforto era imenso…
E todos os dias, ao dormir, vislumbrava com amável sentimento, meu pequeno grande céu.

Mas hoje, o cansaço já me tomou de vez…
Dificilmente consigo sequer lembrar-me de dar uma espiadinha no meu céu antes de adormecer. Mas meu conforto e a rotina não me permitem mais nem mesmo a vontade.

E assim estou vivendo…
Me preocupando em crescer sem nunca me saciar, e me esquecendo, a cada dia, da simplicidade que tanto me realizava…