Arquivo para agosto, 2015

Fragmentos II

Posted in Crise existencial, Divagação/Filosofia, Poemas, Tudo on 19/08/2015 by reticencioso

Eu tenho a certeza,
De que as próprias certezas mudam,
Assim como as incertezas,
Que viverão das mesmas.

Seu pensamento de menino já não serve mais,
Sua filosofia adolescente já não o supre mais.
Sua liberdade hoje, já não lhe cabe mais.
E você sempre vai atrasar.
Enquanto só quer voltar atrás…
E continuar criança,
Onde ser grande era brincar.

A certeza, pessoas,
É um buraco de minhoca,
Um universo no umbigo,
Que atravessa o futuro,
Como uma promessa,
Sem nenhum compromisso.

Com brevê, preciso cortar o cabelo,
Preciso adoçar o tempero,
E que me digam o que é melhor.

Mas pergunto, a esmo,
Que como um qualquer,
Darei-me ouvidos?
Esses! Que a vida me deu.
Que deitam-se no divã.
Pra ouvir o sentido da natureza,
Pra pensar na segunda de manhã.

Mas que presente mais propício.
Para um humano.
Abocanhar as palavras.
As inverter.
Adicionar.
Subtrair.
E cuspir.
Dividindo a si mesmo!
E aos outros de si.

Criando o buraco negro.
Que é o abismo do olhar,
Onde sempre há essa luz de fundo.
Mas só quando alguém,
De canto de olho,
Está a lhe observar.

Destino

Posted in Divagação/Filosofia, Poemas, Tudo on 12/08/2015 by reticencioso

Há quanto tempo,
As palavras já se desenrolavam das mãos…

De todos os lugares!
Escritos, cantados,
Alegres, funestos.

Retirados das antigas mortalhas,
Escritos e mosaicos,
Papéis pintados.

Ecoando das tavernas, praças,
Prostíbulos e santuários.
Lembranças e epitáfios.

E jazem palavras nunca ditas,
Que de outrora, não retornarão.

De vidas sádicas e misteriosas,
Mas que gravadas, nunca morrerão.

Para os que já se foram,
Para os que ainda se vão.

A contradição,
A arte sintética.
Empunhando a licença,
As vezes poética.
Se pensam que não.

Ah…
Mal sabiam alguns,
Que suas palavras,
Seriam ditadas,
E sentenciadas,
À uma vaga afirmação.