Finais…

Postado em Tudo em 09/07/2011 por reticencioso

Poderá até parecer,
Nas inertes linhas que seguem,
Que estou para escrever,
Uma longa carta triste,
De alguém que se despede.

No entanto serei breve,
No momento que sucede.

E o que faço agora,
Não sei se é algo certo,
Pois abstenho-me agora,
Deste meio apoético…

Óh!
Mas que tédio!
Um redemoinho de palavras vagais,
Soletradas pelo ébrio…

Que dancem essas lamúrias!
Que entoem os seus cantos,
Que sirvam todas as bebidas,
Que enlouqueçam então os anjos!

A vida continuará a mesma,
Cortando lentamente o pulso…
E tudo o que não foi escrito,
Não mais importa ao mundo.

Aqui vou-me, portanto,
Duvidoso de mim mesmo,
Sem tristeza e nem pranto.

E se fosse isso o contrário,
Nada adiantaria o porém,
Pois o futuro deste mundo,
Já não cabe a mais ninguém.

Então só peço aos santos,
Que continuem nos suprindo,
Com distrações e embriaguez,
Com ignorância e insensatez,
E tudo mais o que nos mantém.

Até o dia de nossas almas,
Encharcadas de torpeza,
Voarem tortas para o além.

Amém.

Em Tempo…

Postado em Poemas, Tudo em 16/01/2011 por reticencioso

4/09/2010

Esperei tanto pra ver,
O momento de partir,
A minha hora chegar,
E no último segundo,
Sem nada a sentir,
Sem nada pensar,
Deixo o relógio cair,
E continuo a respirar…

Quem sabe seja sorte,
Ou só crendice popular…
Ou então penso que devo,
Com toda a fé acreditar,
Que aos pés da sina forte,
Até mesmo a dona morte,
Resolveu me abandonar…

Nunca Mais

Postado em Poemas, Tudo em 05/01/2011 por reticencioso

“Eu perdi minha vida e o alento,
E os amigos, e a intrepidez,
E até mesmo aquela altivez
Que me fez crer no meu talento.

Vi na Verdade, certa vez,
A amiga do meu pensamento;
Mas, ao senti-la, num momento
O seu encanto se desfez.

Entretanto, ela é eterna, e aqueles
Que a desprezaram – pobres deles! -
Ignoraram tudo de talvez.

Por ela Deus se manifesta.
O único bem que ainda me resta
É ter chorado uma ou outra vez.”

Tristeza – Alfred du Musset (Tradução de Guilherme de Almeida)

Merry Christmas

Postado em Música, Tudo em 25/12/2010 por reticencioso


“Acorde, é luto de natal
Aqueles amados se foram a muito
As meias estão penduradas, mas quem liga
Preservadas para aqueles não mais presentes
A seis pés abaixo de mim dormem

Luzes negras, pendem da árvore
Acentos de azevinhos mortos

Oh, visco
(está ficando frio)
Estou vendo fantasmas
(estou bebendo velho)
Água vermelha
Água vermelha
Água vermelha os afugenta

Minhas mesas foram arrumadas para no máximo sete
Só no último ano eu jantei com onze
Danem-se vocês cavalheiros alegres”

Type O Negative – Red Water

Fui Eu…

Postado em Crise existencial, Poemas, Tudo em 04/12/2010 por reticencioso


Há muito que agora não me chamo mais eu.
Forma disforme, ao Sol voltado encasulado,
Não hei de achar sombra nem orvalho,
Que me caiba de bom grado…

Refugio-me então em meu vulgo silêncio,
E afundo orgulhoso em meu velho esquife,
Recolhido, qual menino manhoso,
Enquanto afogo-me no meu drinque,
Contrapondo-me presunçoso,
Refutando o que bem já tive…

Certa vez achei, por pura inocência,
Que as pessoas perdiam o brilho,
Com a idade que as carregavam,
Ao sentido do fardo da vida.

Como um invisível açoite,
Com o mesmo peso grave,
Que transforma o dia em noite,
Dilacerando a carne em feridas…

Mas a alegria é privilégio da alma!
Como a ida é consequência da vinda!
E talvez por ser divina,
Essa não depende de idade,
Pra ficar fosca e sem vida…

E a loucura as vezes,
É o botão de alarme,
Que aciona-se dentro de si.

Tanto da alma que transpassa,
Algum limite de pensamento,
Que não cabe mais aqui,
Quanto de um desespero,
Que se esconde cansado,
Sem ninguém pra acudir.

E sem certa insanidade,
Muitos não poderiam,
Olhar pra esse mundo doente,
E ainda assim sorrir…

Mas enfim,
O que faz uma forma disforme,
Num tabuleiro de furos circulares,
É o que quero descobrir…

Ciclo…

Postado em Poemas, Tudo em 28/11/2010 por reticencioso

Do Ciclo Dança de Morte

“Noite. Fanal. Rua. Farmácia.
Uma luz estúpida e baça.
Ainda que vivas outra vida,
Tudo é igual. Não há saída.

Morres – e tudo recomeça,
E se repete a mesma peça:
Noite – rugas de gelo no canal.
Farmácia. Rua. Fanal.”

Aleksandr Blok
Tradução de Augusto de Campos.

Olhar

Postado em Poemas, Tudo em 25/11/2010 por reticencioso

Eu vi o olho torto,
Olhando-me vagaroso.
Levantando, meticuloso,
O lado esquerdo do sobrolho.

Tentou ser cauteloso,
Até sua face fosca,
Chocar-se com meu olho…

Desviou, meio tonto.
Virou pra baixo,
Fingiu de morto.

Como assim, título?

Postado em Tanto faz..., Tudo em 24/11/2010 por reticencioso

E não há dia que se passe, sem que o mesmo passe a se passar como passara em algum dia passado…

E falando em passar, passei hoje por aqui, só mesmo pra passear…

E entre um passo e outro, passo por escuros lastros de pensamentos passados… Alguns bem passáveis. Outros, tanto execráveis, diga-se de passagem…
Assim como a chuva passadiça, que cai e esvazia a praça, no meio de uma tarde…

E agora que já terminei o passeio engajando-me nestas palavras de homem são, não hei eu de querer terminar, como se fosse este, apenas mais um texto vão…
Sendo assim, então, digo pra não desistires, seja lá qual for a questão, pois é sabido que até os pássaros, até mesmo os pequenos, também um dia passarão…

Pois, que isso me lembra de uva! Que me lembra de Baco que me lembra tabaco que me lembra de trago de whisky barato que me lembra do sapato que sempre que eu calço me faz lembrar algo que esqueço no lado do alto da mesinha do quarto. Fato! A não ser, é claro, pelo motivo de não usar sapatos. Aliás, meu único calçado é um velho tênis azul-claro, já bem gasto e desbotado. Mas que importa isso, pra quem não sabe usar cadarço? O velhinho lá da esquina, amarra o surrado conga, usando só fitas e laços…

E pronto! Fim de papo!! Êêêêêê!…….

I déssszi masuma, guinda do legal…

O mal

Postado em Poemas, Tudo com as tags , em 07/11/2010 por reticencioso

“Ele estava sentado, ao fim do dia,
Sobre as ruínas de velhas tradições,
Soltando ao largo as trovas da Agonia
Entre um coro de eternas maldições.

Tinha na face encarquilhada e fria
A sordidez dos ínfimos ladrões;
E na destra uma taça, onde bebia
O sangue de extintas gerações.

Eu, ao vê-lo, bradei: Porque é que existes,
Tu, que geras o Horror, e a ele assistes
Tranquilo, como á queda de Salém?

Porque, ó Mal? – E o Mal, sombrio e torvo,
Fitou em mim o seu olhar de corvo,
E respondeu-me: Porque existe o Bem.”

Narciso de Lacerda

Ghhraaarghh!!!!!!!

Que tal os Alpes?

Postado em Tanto faz..., Tudo em 07/11/2010 por reticencioso

My hero!

E se porventura eu me aventurasse além do estereotipado senso limitante ao exterior de meus habituais processos metódicos mentais e ocupacionais, e vagasse afora de qualquer princípio já consignado por esta redundante esfera circundante do extremo adjacente da liberdade?
Pois estou certo eu, de que chegaria a pensar sobre meu próprio julgamento exteriorizado pessoal afora de mim mesmo…
“Louco! Largou as rédeas e saltou de um pulo só! E agora, quem vai guiá-lo, pobre animal indefeso?!”
E tranco-me no quarto da casa da rua do Universo.
Suposições… Vagas divagações vagais…
Quem é quem na história? Não sei ao certo, mas louco eu não sou…
Agora vou-me embora pois deu-se a hora.
O próximo bondinho para a Lua parte em dois minutos…
—Arrivederci felas!!

Aliás… Que história?!

“As vezes da vontade de jogar tudo pro alto,
e se banhar na chuva de whisky!!”

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